sexta-feira, 1 de junho de 2012

Educação alicerçada em informação e não no conhecimento não qualifica


Excelência em desempenho é a aspiração de todo gestor, ainda que, com certa frequência, a frase integre apenas o discurso.
A internet, com seu poder de propagação, nos coloca frente a uma questão fundamental e nos ajuda a refletir sobre a diferença entre informação e conhecimento.
Recebemos brutal carga de informação, sem necessariamente ter conhecimento de seu valor e seus efeitos.
Nossas empresas e escolas se arrastam entre o discurso e a aplicação. A questão se complica ainda mais com os  EaD, cursos de Ensino a Distância.
Vemos com frequência que empresas não são superadas nas concorrências por falta de informação, mas de conhecimento. Apenas o conhecimento permite avaliar as consequências e gerar prevenções.
Apanhemos um exemplo, onde muitos de nós não têm qualquer domínio, assim poderemos refletir com isenção:
Andando pela floresta amazônica encontramos um lindo animal colorido, que podemos identificar como uma rã. Pessoas ao nosso redor poderiam melhorar a informação: uma rã venenosa.
Temos informação para evitá-la, mas temos conhecimento suficiente para saber o que isso significa?
Para entender toda a questão são necessários estudos, avaliações e experimentos. Apenas com esse trabalho poderemos melhorar nossa compreensão.
Conhecimento é um processo, ele se alimenta de informações, as gera e melhora sensivelmente sua qualidade. Informações classificadas e cadastradas chamamos de dados. Com essa denominação voltam ao processo.
Modelos educacionais que apenas promovem a circulação da informação, sem seu processamento, produzindo novos conhecimentos, não qualificam profissionais, por isso geram poucos resultados.
Vejamos o caso da pequena rã, após um rápido estudo:
Este pequeno ser é uma das criaturas mais venenosas do planeta. Seu nome científico é Phyllobates Terribilis.  O veneno “alcalóide” desta rã causa parada respiratória imediata.
Um espécime adulto tem “homobatracotoxina” suficiente para matar 20.000 cobaias ou 100 pessoas.
O que sabemos é suficiente para prevenção?
Os índios as apanham com folhas de bananeira, a nós seria suficiente pegá-las com um papel?
Galinhas e cães que entraram em contato com um papel toalha onde a rã andou morreram.
Pelo que observamos, certamente que não, não é verdade?
Seu veneno, a “homobatracotoxina”, é extremamente raro e só é encontrado em outros três sapos da Colômbia e dois pássaros venenosos de Papua, Nova Guiné. Entre os animais, apenas a cobra Liophis epinephelus é resistente ao seu veneno, ainda que não totalmente imune.
Os índios o usam na ponta das flechas para facilitar a caça. Estas, esfregadas nas costas das rãs, ficam letais por cerca de dois anos.
Ora, como estes, então, podem comer as caças, sem serem afetados?
Avançamos um pouco mais no assunto, já podemos nos considerar aptos a trabalhar com este animal e manuseá-lo?
Na verdade não. Temos algumas informações, mas não conhecimento suficiente para tanto. O que sabemos, ao inserirmos no processo, não nos permite avaliar as consequências e produzir as prevenções necessárias, correto?
Voltando ao nosso campo, gestão empresarial, nas empresas muitas questões são tratadas pelas informações obtidas e não pelos conhecimentos necessários, que estabelecem a qualificação.
A cultura do mais ou menos, do puxadinho, é extremamente prejudicial às empresas, fragilizando-as frente à concorrência, principalmente a internacional.
Essa cultura é que faz com que pessoas, apesar da informação não ajam, por não avaliar as consequências, por falta de conhecimento.
Aprendendo a aprender, notamos que aprendizagem é um sistema complexo, que se alimenta dos ambientes que o cercam e devolve informações ao mesmo. Quanto mais aberto às informações, mais poderoso se torna.
Ao ambiente externo apenas informações são transmitidas, pois conhecimento é uma abstração pessoal, com base em experimentações, por isso fica retido, e não pode ser repassado. Aqui reside uma das grandes confusões dos sistemas de ensino e aprendizagem.
No mercado, vemos que fluem com facilidade equipamentos e informações sobre estes, mas não o conhecimento que os materializaram.
Para que as empresas sejam competitivas, não basta atualização tecnológica, é fundamental o desenvolvimento intelectual, cuja fonte é o conhecimento.

O sapo corporativo


O sapo é um animal curioso e tão interessante que utilizam ele para várias analogias. Nenhuma positiva, infelizmente. Há quem diga que sapo é aquele que vai a uma festa ou evento sem ser convidado, ou seja, um penetra. Há quem diga que o sapo é aquela pessoa asquerosa e nojenta. Tem também os que dizem que fofoqueiros são igual sapo pois possuem a perna curta, língua comprida, olho grande mas vivem na lama.
Realmente, o sapo não tem sido referência positiva, apesar de cumprir seu papel de equilibrar o ecossistema, consumindo insetos. Mas, também há quem diga que o mundo corporativo é uma selva. E toda selva possui milhares de tipos de animais, inclusive algum tipo de sapo.
Recentemente tive a oportunidade de conhecer um profissional que tenho certeza que era um sapo nesta selva. Quando você menos espera, ele aparece para consumir as moscas que estão atrapalhando e você acha que, apesar de ter os olhinhos esbugalhados e uma aparência estranha, veio para ajudar e será a solução de seus problemas. Aí, percebe que este sapo, não veio para ajudar e sim apenas para encher a barriga e você estava no meio do lanche dele.
Curiosamente, ele fica parado, esperando mais moscas chegarem até o alcance da língua certeira. Não realiza nenhuma atividade, não gera resultados, não executa, não cria, mas está lá, esperando para “garantir” o dele. Apesar de ser feio, foge sempre que tem algo que não consegue compreender, em vez de buscar solução para contornar eventuais conflitos.
Perceba que o sapo não é tão apático que pode ficar horas ao seu lado, sem fazer nada, literalmente. Mas, quando é pressionado, foge em busca de algum lugar seguro que ele possa ficar mais um pouco, aguardando as moscas.
Quer saber? Tenho certeza que você conhece um colega sapo em seu trabalho. Observe aquele que pouco faz e tem a língua comprida, que em vez de produzir, fica criticando o trabalho dos outros, que opta por ver defeitos a apresentar idéias e soluções e que, mesmo quando acabam suas moscas… Fica lá parado, esperando alguém falar que está na hora dele cair na real ir coaxar em outro canto.