sábado, 25 de maio de 2019

Zuckerberg, Jobs e Obama têm preguiça de se vestir

O que parecia ser uma verdade incontestável e até características de líderes como Barack ObamaSteve Jobs e Mark Zuckerberg, agora está na berlinda. Esses três são conhecidos por sempre se vestirem da mesma forma, todos os dias, como uma forma de diminuir a quantidade de decisões que tomam por dia, logo evitar a fadiga decisória e serem mais produtivos.
O artigo do El País, escrito por Javier Salas e publicado na segunda-feira, 13 de maio, traz o seguinte: “uma pessoa adulta toma cerca de 70 decisões por dia, ou 3.500. Dependendo da fonte”.
Ou seja, todo os dias, durante o dia inteiro, a pessoa se questiona pelo menos 70 vezes sobre se deve fazer algo ou não; escolher aquela roupa, ou não; dobrar a direita ou a esquerda; ignorar ou atender uma ligação.
E esse volume de decisões pode chegar a ser até 50 vezes maior.
O texto defende que, por anos, a teoria da fadiga decisória foi defendida com base em dados que comparavam o dia a dia de profissionais e consumidores.
Médicos variam a quantidade de requisição de exames durante o dia, de forma decrescente após cada descanso deles. Assim como uma pessoa que evitava uma caixa de chocolates durante todo o tempo no supermercado, acaba sucumbindo quando chegava ao caixa.
Esses casos acontecem, segundo acreditavam os psicólogos comportamentais até meados de 2016, porque ao longo das tomadas de decisões na jornada do profissional de medicina, o cérebro vai fatigando e deixando de decidir melhor o que fazer no fim do expediente;
Enquanto o consumidor acabava colocando a caixa de chocolates no carrinho quando chegava ao caixa porque já tinha passado todo o roteiro pelos corredores do supermercado, comparando preços, marcas, lembrando o que precisa em casa e, no final, acaba atropelando aquela primeira escolha de não comer o chocolate.
Eis que entre 2014 e 2016 dezenas de estudos questionaram e colocaram à prova o que Roy Baumeister nomeava de fadiga da decisão - e que estaria dentro de um quadro psicológico: o esgotamento do ego.
Os estudos recentes sugerem que a força de vontade não seria finita e nem se renova, o que não atrapalha o processo de decisão, como defende o pesquisador da Universidade de Toronto Michael Inzlicht.
De acordo com Inzlicht, o fenômeno da fadiga de decisão até poderia ser legítimo mas é um estado de coisas “estranho e triste”. E que o motivo de escolhermos aquele Sonho de Valsa na fila do caixa é desconhecido.
Logo, a economia nas decisões durante o dia ao escolher o mesmo jeans azul e camisa preta com manga ¾ de Steve Jobs nas suas apresentações, não passaria de uma decisão pelo fato de ele não se preocupar com suas roupas ou não gostar mesmo de se vestir, por exemplo.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Dragagem emergencial do Porto de Santos: imprópria e prejudicial

Desnecessária, inexplicável e inquietante a decisão de contratar a dragagem do Porto de Santos (SP) por modalidade emergencial. É prejudicial à qualidade e aos custos. Seria o caso de perguntar por que passados mais de cem dias de governo, tempo suficiente para realizar uma licitação, nada foi feito. Decerto que as empresas com capacitação técnica e habilitação para atender às especificações e às necessidades desse projeto também teriam atendido a esse prazo para preparar as suas propostas.

600 Draga 2Draga emergencial não resolve problema do Porto de Santos.

Ainda que se desconsiderasse a possibilidade da consulta particular haver interesse escuso que favoreça a lucratividade demasiada, a administração de um contrato elaborado de afogadilho contraria às determinações do Tribunal de Contas da União (TCU). Nessas condições, também não são exploradas suficientemente as vantagens competitivas e a eficiência da draga. É relevante considerar todas as prestadoras de serviços dessa natureza (Van Oord, Dragabrás, Dratec, EEl. Boskalis, Bandeirantes, DTA etc.) que conhecem sobejamente todas as condicionantes pertinentes à execução do serviço.
Na contratação de prazos muito curtos com validade até o início de um novo contrato são embutidos custos adicionais em razão do período indefinido. Além disso, a hipótese de quebra de contrato intempestiva é compensada por sobrepreços, como aconteceu com a dragagem do canal pela Dragabrás e revelados por Portogente. Os valores unitários dos trechos do canal eram incoerentes com os custos de sua composição: a menor distância com maior preço unitário e maior produtividade. O caso está judicializado.
Portogente propõe o seguinte modelo de licitação que privilegia uma dragagem por resultado: “Contratação dos serviços de dragagem no Porto de Santos".
Objeto: contratação dos serviços de dragagem para manutenção das profundidades mínimas de -15,0m dos canais de acesso ao porto de Santos, em toda a sua extensão;
Prazo: prazo dos serviços de 2 anos não prorrogáveis;
Preço: menor preço;
Forma de pagamento: valores fixos mensais;
Condições de pagamento:
1. A empresa vencedora passará a receber os valores mensais após as cotas estabelecidas em 90% de todo o canal;
2. A empresa vencedora terá um prazo de, no máximo, 4 (quatro) meses para atender ao estipulado no item anterior;
3. As profundidades estabelecidas após o primeiro pagamento deverão ser mantidas. No caso de redução das profundidades, em qualquer trecho do canal as mesmas deverão ser restabelecidas, condicionando o pagamento do mês em que esse fato ocorrer;
4. Se houver descumprimento no que se refere ao item anterior por 3 (três) meses consecutivos o contrato será encerrado.